Texto de Jorge Farromba

No exterior, a estética não sofre muitas alterações; somente as necessárias num modelo mais exclusivo. É também a primeira vez que a sigla S se associa a um Diesel, onde a redução das emissões é uma das causas principais para essa situação. Mas desenganem-se quem pensa que, sendo Diesel, desaparecem as emoções. Já lá vamos!
Como germânico que é, a Audi introduziu pequenas alterações; uma grelha mais tridimensional com ligeiro defletor no bordo inferior, quatro nervuras no capot dianteiro, e um para-choques bem mais robusto.
A assinatura luminosa surge com o novo sistema de LED – com o sistema de máximos inteligentes que desligam parte dos leds quando se cruza com outros veículos, mantendo um cenário de grande luminosidade em toda a estrada e, em qualquer momento.
Lateralmente, as jantes são parcialmente polidas e as pinças dos travões em vermelho. Na traseira, surge novamente um defletor traseiro que, não tem uma função meramente estética mas aerodinâmica e quatro (!) saídas de escape.
E são estes os elementos visuais que ajudam a vincar a desportividade minimalista que a Audi pretendeu incorporar no seu S4, ao invés de grandes apêndices aerodinâmicos, visualmente interessantes, mas que se encaixam num segmento de nicho. Este S4, é o carro tipicamente familiar executivo, que combina com o fato e gravata de quem o conduz, ou com condutor de calça de ganga e camisa.
Interiormente, a marca não mexeu num interior muito bem construído e desenhado , tendo somente incorporado aplicações em carbono, uns excelentes bancos desportivos com sistema de massagens e bom apoio lateral. O painel de instrumentos é totalmente digital e o ecrã central é atualmente portador de um software bem mais funcional e intuitivo que o anterior. Encontramos depois os botões para o estacionamento automático e a regulação do estilo de condução (efficiency, confort, auto, Dynamic, Individual) que permite alterar – e que muito se sente – em conjunto com o suspensão de amortecimento variável toda a dinâmica do automóvel (e a adrenalina do condutor).

Uma referência para, quando utilizado o sistema mais desportivo, o som emanado pelo motor surge em todo o seu esplendor, com uma direção mais direta e uma resposta do acelerador bem mais rápida.
E em estrada?
Possuir um motor destes, um chassis afinado e preparado para tantos cavalos, um sistema quattro e um sofisticado sistema mild hybrid de 48 volts que permite rodar em “roda livre” com o motor desligado a velocidades até 160 km/h assim que se tira o pé do acelerador e assim poupar combustível, diz bem do que se espera do S4.
E a primeira impressão que fica é o som rouco e abafado do V6 TDI. Bem acolhidos nos bancos é o momento de engrenar a caixa no D (DSG de 8 velocidades, com opção sport e patilhas no (excelente) volante) e sentir o primeiro impacto vigoroso do motor, que se sente no habitáculo na justa sonoridade que os entusiastas gostam e no timbre correto que não cansa nem incomoda.
Assim, o S4 leva-nos rapidamente em estrada por velocidades demasiado proibitivas e, onde, o excelente sistema de travagem ajuda a amainar. Aliás, as diferenças entre utilizar os modos menos “eficientes” e os mais dinâmicos provocam alterações significativas no modo como percecionamos o S4. Se, no modo mais calmo, o S4 se apresenta seguro, competente e assertivo, no modo individual esse refinamento é ainda mais apurado e desportivo, sendo que não se perde muito em conforto mas ganha-se sobretudo em adrenalina, desportividade, capacidade de resposta da direção e do motor.

Pilotar este tipo de viaturas é sempre mais entusiasmante em estrada sinuosa ou em pista, onde dá para perceber como o chassis foi afinado, os pontos fortes do mesmo, o comportamento e sobretudo o modo como, provocado, este reage. E, o S4, tem a lição muito bem estudada. É difícil fazê-lo, nestes cenários, perder a competência, mesmo com piso molhado e húmido.
O sistema quattro – ou não fosse a Audi a sua percursora – está bem testado, afinado e parametrizado e, se numa primeira instancia quando o S4 é provocado – sim, é preciso muito – ele reage de início, corrige a trajetória e, quase sobre carris, nos recoloca no cenário mais previsível nos convida a querer testar ainda mais os nossos limites.
Em conclusão, este é o familiar que qualquer executivo, ou pai apressado quer ter, para, em segurança se deslocar com a sua família de modo rápido e seguro. Não gosta de ostentação nem apêndices aerodinâmicos pois combina esta viatura com a sua profissão.
Todo o ensaio foi realizado respeitando a legislação em vigor e os consumos rondaram os 6,7l a 7,3l mas também tivemos momentos de 12,8l. Depende do entusiasmo do pé direito. Mas fica a recordação da competência!
Modelo: Audi S4 TDI Avant (347cv)
Cor: Azul Navarra
Interior: Cinzento Rotor
Equipamento opcional da versão ensaiada:
• Diferencial desportivo
• Head Up Display
• Estofos em couro macio
• Pacote Tour (Cruise control adaptativo, Audi active lane assist e sistema de reconhecimento de sinais de trânsito)
• Pacote City Plus (Audi Pre sense rear,
• sensores de estacionamento atrás e à frente, com assistência ao estacionamento, câmaras 360º e Audi Side assist)
• Pinças dos travões em vermelho
• Advanced key com sensor de movimento para abertura da bagageira
• Farois Matrix
• Pacote de iluminação ambiente
• Bancos dianteiros desportivos S
• Controlo dinâmico da direção
• Volante desportivo com fundo plano
• Barras de tejadilho cromadas
• Inserções em carbono
• Bancos dianteiros com apoio lombar com ajuste pneumático e sistema de massagens
• Ar condicionado automático com três zonas de regulação
• Sistema de som Audi 840





